Desenho de Observação e Métodos de Ação – Implicações na Propedêutica da Formação do Designer

Coordenador: Elisa Maria Bernardo

Equipa (no CIAUD): Fernando Moreira da Silva

Equipa (fora do CIAUD): 

Data de início: Outubro 2008

Data de conclusão: Outubro 2013

Linhas de Investigação: Principal: Design de Comunicação | Transversal: Desenho

Financiamento: FCT - Fundação para a Ciência e para a TecnologiaBolsa nº SFRH/BD/76364/2011

Parceiros:  

Resumo

O presente projeto surge na decorrência de um trabalho de investigação para desenvolvimento de tese de Doutoramento em Design na Faculdade de Arquitetura de Lisboa. Trata-se de um exercício de questionação em torno das relações entre o Desenho e o Projeto, com particular incidência sobre o ensino do Desenho de Observação e seus dispositivos metodológicos, no âmbito da formação do designer.

É um facto que esta modalidade específica de desenho continua a integrar os planos de estudo vigentes em grande número de Cursos de Arquitetura e Design. Lado a lado, as lições do projeto e as lições do desenho, autónomas e distintas que são, partilham, porém, de um conceito de instrução obtusa e/ou nebulosa, que tem tudo a ver com uma definição intermitente de limites para as atividades das aulas e para a resolução dos problemas que estas desencadeiam. Porque o desenho de observação necessita da formulação racional de objectivos e de métodos para se ver cumprido e amadurecido mas pressupõe à partida, junto do praticante, a construção de uma autonomia real, i. é, a aquisição de aptidões muito para além daquilo que pode ser estritamente ensinado.

Numa aproximação de grande evidência ao projeto, diremos que o desenho de observação pode ser abordado numa lógica de problem setting and solving, integrando dispositivos reguladores que visam a ordem e a segurança dos resultados… desde que sejam tidos em conta os limites duma tal aplicação. Os métodos do desenho, tal como os do projeto, mais não devem suscitar do que procedimentos genéricos que jamais aniquilem a riqueza da experiência nem a complexidade do problema – jamais devem ser usados como um corpus de receitas exterior ao sujeito, a aplicar mecanicamente.
Perante esta problemática, interessa-nos apontar o desenho de observação como uma prática que, ao convocar a estratégia e a invenção pessoais, ao admitir as figuras da dúvida e da imprevisibilidade no seio das suas metodologias, se revela plenamente inserida nos atuais paradigmas que regem a atividade projetual.

Ao desenho de observação interessa-nos, ainda, focá-lo como um instrumento de ampla elasticidade na questionação e produção do conhecimento visual que, desenvolvendo as mais diversas trocas entre os vários domínios do saber, acolhe em si a pluridisciplinaridade e potencia a transversalidade, as áreas de intercâmbio e de mestiçagem constituindo, pois, o seu território privilegiado.

 

Resultados (obtidos ou esperados)
Pensamos que os primeiros beneficiários da presente investigação são todos aqueles que, pretendendo refletir acerca das prioridades da formação em design, queiram ver nitidamente questionadas as razões da partilha curricular entre as metodologias do projeto e as do desenho, encontrando aqui um contributo para a construção da sua própria visão crítica acerca do problema.